A tarde

Mulheres foram eleitas para comandar 12,78% das prefeituras baianas no último dia 15 de novembro, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Das 407 cidades do estado onde o pleito já está definido, em 52 delas a chefia do Executivo municipal será exercida por uma mulher. Os números apontam para um cenário praticamente igual ao de quatro anos atrás. Em 2016, foram 54 prefeitas eleitas, o equivalente a 12,95% do total.

A média nacional em relação à presença feminina nas prefeituras é ainda um pouco menor – 12,05% das prefeituras brasileiras serão administradas por mulheres. Dos 20 maiores colégios eleitorais da Bahia, em somente três houve vitórias de mulheres na disputa pelo maior cargo: Suzana Ramos (PSDB), em Juazeiro; Cordélia Torres (DEM), em Eunápolis; e Moema Gramacho (PT), reeleita em Lauro de Freitas.

Primeira mulher eleita prefeita de Juazeiro, Suzana diz esperar que sua vitória sirva de incentivo para outras mulheres disputarem cargos, principalmente no Executivo. Ex-vereadora, ela lembra que a Câmara local, que tem atualmente três vereadoras, só contará com uma mulher no próximo ano. “As mulheres não gostam muito de se envolver com política, nem todas querem fazer esse sacrifício”, afirma.

Nos cargos de vice, houve queda no número de eleitas na Bahia. Em 2016, foram 61 vice-prefeitas, o que representou 14,63% do total. Este ano, foram 56 mulheres eleitas como vice – proporcionalmente, se trata de 13,76%. Já nos legislativos municipais, o cenário foi de aumento tímido na representatividade feminina. Na eleição anterior, foram eleitas 556 mulheres as Câmaras (12,09% do total). No último dia 15 de novembro, conquistaram mandatos de vereadoras 586 mulheres (13,08% do total).

Para Vanessa Cavalcanti, docente do Programa de Pós-Graduação em Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, Gênero e Feminismo (PPGNEIM/UFBA), é possível “visualizar ranços e avanços, bons resultados e inserção de mais pessoas comuns, rompendo com as oligarquias e ‘clientelismo’, mesmo que ainda não tão equitativos quanto poderíamos”. “As cotas são exemplos de busca da promoção e inserção, mas não de mudanças educativas, visibilidade e acesso”, diz.

“Candidaturas que chegavam a atingir o mínimo das cotas também alcançaram assentos, renovando Câmaras municipais, incorporando gente jovem, de movimentos sociais que ganharam potência desde as manifestações de 2013, 2015 e 2016. Eleitas e eleitos jovens, integrados a causas sociais, a identidades especificas, LGBTQIA+ e juventudes negras. Exemplos disso, para Salvador, foram as entradas de Maria Marighella e Laina Crisóstomo, em mandato coletivo Pretas por Salvador, vinculado ao PSOL, com Cleide Coutinho e Gleide Davis”, cita a professora.

“Da mesma maneira, tivemos ranços e elementos tensos, como a capital ter candidaturas de mulheres negras, algumas com experiência anterior grande na gestão e Legislativo, e que tiveram candidaturas muito abaixo das expectativas”, diz Vanessa, em referência às candidaturas de Major Denice (PT) e Olívia Santana (PCdoB). Na Câmara de Salvador, a bancada feminina passará das atuais sete para nove integrantes na próxima legislatura. Apenas a vereadora Ireuda Silva (Republicanos) integra a lista dos 10 mais votados para o Legislativo soteropolitano, em quarto lugar.

Vanessa destaca que, “no meio de pastores, irmãos, doutores, as mulheres não usam titulações – pelo menos as que vão ocupar a partir de janeiro as cadeiras da municipalidade soteropolitana”. “Ressalto: são elas por elas mesmas, gente comum que abriu mão de vida privada para ganhar dimensão pública e levar causas específicas, de e para gente”, acrescenta.