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O presidente JairBolsonaro afirmou nesta segunda-feira que a responsabilidade pelas manchas de petróleo encontradas em mais de uma centena de praias no litoral nordestino não é do Brasil . Na saída de uma reunião no Ministério da Defesa sobre o tema, ele disse estar “constatado” que o material não é produzido nem comercializado no país e que pode ter sido algo criminoso, um vazamento acidental ou um navio que naufragou.

Nós estamos investigando, analisando, porque tem um DNA. Por exemplo, não é produzido em nenhum poço brasileiro. E não é comercializado de fora para cá esse tipo de óleo também. Então, [temos] uma certeza: não é do Brasil, não é responsabilidade nossa. A análise continua para saber se a gente consegue detectar de que país é, da onde veio, qual navio petroleiro que derramou esse óleo lá — declarou Bolsonaro. De acordo com o presidente, foram identificados aproximadamente 140 navios que fizeram o trajeto por aquela região. Temos no radar um país que pode ser da origem do petróleo, e continuamos trabalhando da melhor maneira possível para dar uma, não só uma satisfação à sociedade bem como colaborar na questão ambiental — acrescentou.

Questionado sobre a possível origem do óleo, o presidente respondeu que não pode revelar. Antes disso, informou que as manchas começaram a ser analisados há mais de 30 dias, desde o dia 2 de setembro. A ordem de serviço que assinou no sábado, segundo ele, porque a situação persistiu. Na opinião de Bolsonaro, a investigação é “bastante complexa” porque o material migra por correntes marítimas que vêm da África e das Guianas.

Além de Bolsonaro, participaram da reunião os ministros Fernando Azevedo ( Defesa ), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Bento Albuquerque (Minas e Energia), Ernesto Araújo (Relações Exteriores ) e Ricardo Salles ( Meio Ambiente ), este por videoconferência, de Sergipe, além dos comandantes do Exército ,Aeronáutica  e Marinha .

O presidente não soube responder se o governo pode pedir uma indenização ou tomar outras providências caso se descubra a origem dos vazamentos.

— Logicamente, aí entra nessa legislação ambiental, que o ministro do Meio Ambiente (Ricardo Salles), que está agora na região, está voando para cá, ele poderá informar melhor vocês sobre isso — disse.

Segundo ele, o Brasil ainda não fez contatos com países que possam ter despejado o óleo na costa brasileira porque a investigação ainda está em curso. Ele comentou que, em um vazamento como esse, seria natural o comandante informar, “porque acidentes acontecem”, mas isso “infelizmente” não ocorreu. Em seguida, o ministro da Defesa enfatizou que “nada é ou está conclusivo”.

— Isso é importante. A causa não é isso, não é aquilo. Então está sendo investigado. Já foi aberto o inquérito em relação a isso — declarou Fernando Azevedo.

Bolsonaro afirmou ainda que, “com toda a certeza”, as manchas provocam um impacto negativo no turismo, afastando quem estaria interessado em ir para a região, mas destacou que o governo está participando da retirada do óleo que chegou à praia.

Ao ser questionado se ministro do Turismo , Marcelo Álvaro Antônio , participa das conversas sobre o tema, Bolsonaro negou e disse que ele estava na Espanha, mas não se sabe se já voltou ao Brasil. Diante de uma pergunta sobre se o ministro, denunciado na última sexta-feira pelo uso de candidaturas-laranja no PSL em Minas Gerais, ele encerrou a entrevista abruptamente.

Outro assunto tratado na reunião foi a Operação Verde Brasil, na região afetada por queimadas na Amazônia. Bolsonaro disse que os incêndios na área devem ter “a menor média dos meses de setembro, bem como a melhor média desde o século passado”.

— As Forças Armadas e demais órgãos agindo na hora certa porque os incêndios e os focos de calor são uma constante na região por vários aspectos. Então dei os parabéns às instituições envolvidas, tivemos uma pronta resposta não só ao Brasil bem como ao exterior — declarou.